Brasil vence Selecção Mundial (6-2) a fechar o ano de 2010

30 Dez

2010 foi um ano diferente no panorama do futebol de praia internacional. Pela primeira vez, 12 meses decorreram sem que nenhuma edição do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia da FIFA fosse disputada, dado que o torneio se transformou numa competição bianual. Esta situação gerou alguma falta de dinamismo por parte da BSWW e das confederações de cada continente, conforme previ aqui.

Ainda assim, foi um ano cheio de movimento na Europa, com todas as provas anuais da modalidade no velho continente a terem lugar ao longo dos meses de Verão, acompanhando o desenrolar dos campeonatos nacionais dos diversos países. Ao mesmo tempo, foram tomadas iniciativas interessantes na Ásia, com a realização de torneios que promoveram verdadeiramente o futebol de praia, nomeadamente em Omã. Na CONCACAF, por sua vez, foi disputada a qualificação para o Mundial 2011, além de outros torneios e iniciativas em que participaram as selecções locais. Finalmente, a América do Sul continuou a dar algum destaque à modalidade, nomeadamente no Brasil, com a realização de torneios internacionais amigáveis e uma grande diversidade de competições internas.

Desafio Internacional: Brasil vs Resto do Mundo

Para fechar um ano de altos e baixos no campo do futebol de praia, no qual foram conseguidos alguns progressos notáveis, realizou-se em areias brasileiras o tradicional desafio internacional, que pela altura do Natal anima os adeptos da modalidade com um emocionante confronto entre os habituais campeões do mundo, Brasil, e uma selecção formada por alguns dos melhores jogadores de futebol de praia de outros países. Eis o vídeo da edição de 2009, em que o Brasil venceu por 5-3.

Desta vez, coube à Praia da Enseada, no Guarujá, a honra de acolher o evento, no Domingo, dia 26 de Dezembro de 2010, com transmissão directa na TV Globo. A selecção Canarinha, treinada pelo experiente Alexandre Soares, composta por um elenco de estrelas no qual as principais figuras não faltaram, tentava manter a sua invencibilidade no historial do confronto, dado que, nas 5 edições anteriores do desafio internacional, os  brasileiros tinham saído vitoriosos sempre. A equipa mundial, treinada por Hector Petrasso, seleccionador nacional da Argentina, constava de um elenco de estrelas internacionais decididas a derrotar os campeões do mundo. Eis as listas de convocados.

BRASIL

Guarda-redes: Mão, Marquinhos.

Jogadores de Campo: Buru, Daniel, Betinho, Anderson, Benjamim, Sidney, Bruno, André.

SELECÇÃO MUNDIAL

Guarda-redes: Diego (Uruguai), Bukhlitskiy (Rússia).

Jogadores de Campo: Pampero (Uruguai), Leguizamon (Argentina), Madjer (Portugal), Amarelle (Espanha), Palmacci (Itália), Stankovic (Suíça), Morales (EUA), Rami Aldefaia (Emirados Árabes Unidos).

Madjer convocado

Em jeito de balanço acerca da convocatória da selecção mundial, verificamos a presença de três jogadores que conquistaram a bola de ouro em campeonatos do mundo de futebol de praia (Madjer, Amarelle e Stankovic), constituindo as principais referencias da equipa. Ainda a nível de ataque, foram chamados outros jogadores que se têm destacado ao serviço das suas selecções, tornando a selecção mais universal.

10 Estrelas na Selecção Mundial que enfrentou o Brasil no Guarujá, de 9 países diferentes. Com mais entrosamento entre os jogadores, a equipa seria colossal!

No entanto, o sector defensivo saiu algo prejudicado, pois dos 8 jogadores de campo, o uruguaio Pampero é o único que joga como defesa na sua selecção. Os guarda-redes foram bem escolhidos, figurando indiscutivelmente no topo mundial (embora não estejam sozinhos).

Importa referir também que a equipa de arbitragem era formada por dois oficiais brasileiros (Renato de Carlos e Felipe Varejão), um árbitro argentino (Luis Antonio Colli) e outro uruguaio (Javier Betancour), mantendo assim um equilíbrio concordante com a composição das equipas em campo.

Equilíbrio no início, hegemonia brasileira depois

Importa referir primeiramente a constituição dos 5 iniciais de cada equipa. Assim, enquanto o Brasil alinhou com os habituais Mão, Buru, Daniel, Benjamim e Sidney, a selecção mundial jogou de início com Diego, Pampero, Leguizamon, Amarelle e Madjer.

O jogo começou de feição para o combinado mundial, que conseguiu chegar à vantagem ainda no primeiro minuto de jogo: Madjer foi carregado em falta por Daniel dentro da área brasileira e não vacilou na marcação da grande penalidade, desfeiteando o guarda-redes Mão e fazendo o 1-0 favorável ao resto do mundo. O Brasil dispôs de uma excelente oportunidade para empatar, mas Daniel falhou o alvo. O jogo manteve-se equilibrado durante o 1º período, com a selecção mundial a manter uma boa atitude, sempre em busca do golo, sobretudo através dos remates de longe de Madjer, mas também de Stankovic. Foi, no entanto o Brasil que conseguiu chegar ao empate, por intermédio de Anderson, num belo remate na sequência de um canto: 1-1.

O brasileiro Anderson celebra o golo do empate, num remate de belo efeito, perto do fim do 1º período.

No 2º período, o misto de estrelas procuraram restaurar a vantagem, com uma acrobacia de Amarelle que Mão defendeu com dificuldade. Porém, foi novamente o Brasil quem chegou ao golo, desta vez por intermédio de Betinho, numa tabelinha com André em que o Brasil soube explorar as debilidades defensivas da selecção mundial: 2-1 favorável à Canarinha. Madjer reagiu, procurando o empate com os seus remates perigosos e Pampero quase marcava na cobrança de um livre. Contudo, a baliza brasileira parecia inviolável e foi o Brasil quem marcou, numa jogada estudada na sequência de um livre no futebol de praia, com Benjamim e fazer o 3-1. Stankovic esteve perto do golo no pontapé de saída, mas o resultado não se alterou até ao final do 2º período.

As fragilidades defensivas da selecção mundial eram cada vez mais evidentes, sendo que o desmembramento da equipa atingiu o auge no 3º período, totalmente dominado pelo Brasil. Após um remate de Buru à trave, Benjamim voltou a marcar, fuzilando as redes da selecção internacional, após um conjunto de toques em habilidade: 4-1. A selecção do mundo tentava reagir, mas sem sucesso, e o desequilíbrio da equipa em campo continuou a ser aproveitado exemplarmente pelo Brasil, que fez mais dois golos, da autoria de Bruno Malias, ambos de cabeça: 6-1.

O pontapé de bicicleta de Madjer, a passe de Amarelle, podia ter atenuado os números da derrota, mas a bola não entrou na baliza de Mão. Na verdade, a selecção mundial ainda conseguiria chegar ao 6-2, mas pouca gente seria capaz de prever o quem viria a ser o autor do golo: Bukhlitskiy, o guarda-redes russo, pouco depois de defender uma grande penalidade de Anderson, avançou no terreno e rematou furiosamente na direcção da baliza brasileira, marcando um golo épico, que infelizmente não foi suficiente.

A selecção brasileira recebeu o troféu e comemorou mais uma conquista em 2010

A selecção Canarinha vencia assim mais uma edição do desafio internacional Brasil vs Resto do Mundo, num jogo mais equilibrado do que o resultado possa dar a entender. De qualquer forma, o Brasil está de parabéns pela vitória! Os golos do encontro podem ser vistos no vídeo que se encontra neste artigo da globoesporte.

Comentários

As reacções ao resultado deste jogo foram naturalmente diferentes. Se, do lado brasileiro, dominava a festa e o sentimento de objectivo alcançado, os membros da selecção mundial admitiram as falhas da equipa e reagiram com fair play, como seria de esperar, sobretudo em jogos desta natureza.

Assim, todos os jogadores e treinadores saíram enriquecidos com esta comemoração do futebol de praia, da qual todos os elementos saíram beneficiados, independentemente de terem vencido ou perdido o jogo.

Alexandre Soares (treinador do Brasil): Sabíamos que seria uma partida complicada, a «Selecção do Mundo» veio muito forte, com vários atacantes, e aos poucos conseguimos encaixar uma marcação melhor. Todos estão de parabéns, foi uma bela atuação da equipe e o Brasil encerra 2010 da mesma maneira que os últimos anos: com vitória.

Hector Petrasso (treinador da Selecção Mundial): Viemos com uma equipa bastante ofensiva. Para vencer o Brasil, é preciso um conjunto mais equilibrado, de contrário é praticamente impossível vencê-los.

Madjer (jogador da Selecção Mundial): Ainda não foi desta vez que conseguimos acabar com a festa brasileira.

De realçar ainda a dedicatória especial que Bruno Malias dirigiu a Wagner, guarda-redes brasileiro com passagens pela selecção Canarinha que sofreu um grave acidente de viação e se encontra em fase de recuperação. De facto, os jogadores da selecção brasileira mostraram ao público uma frase de apoio ao companheiro de equipa, torcendo pelas suas melhoras.

Os jogadores brasileiros ostentaram um cartaz com uma mensagem de apoio ao colega Wagner, tendo em vista a sua rápida recuperação e o regresso às areias.

Bruno Malias (jogador do Brasil): Wágner, estamos com o coração aí com você! Essa vitória é sua!

A temporada de 2010 despede-se assim com um confronto que se tem vindo a tornar um clássico do futebol de praia, com uma nova vitória brasileira, mas acima de tudo repleta de emoções e de grandes momentos desportivos, que contribuem da melhor forma possível para a promoção da modalidade, dando seguimento ao seu frutuoso processo de crescimento. Resta o aviso, em tom de brincadeira, mas verdadeiro, de que um dia será a selecção mundial a vencer!

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