Qualificação CONCACAF: México e El Salvador apurados para o Mundial 2011

22 Dez

Na passada semana teve lugar o torneio de qualificação da CONCACAF para o Campeonato do Mundo de Futebol de Praia FIFA 2011. O evento teve lugar em Puerto Vallarta, no México, com 16 jogos disputados na Unidade Desportiva Agustín Flores Contreras, na orla marítima do Oceano Pacífico.

Personalidade histórica para a cidade de Puerto Vallarta, Agustín Flores Contreras dedicou-se a importantes obras humanitárias que promoveram o desenvolvimento cultural de Puerto Vallarta, nomeadamente ao nível da construção de estabelecimentos educativos.

Personalidade histórica da cidade, Agustín Flores Contreras promoveu o desenvolvimento cultural de Puerto Vallarta, nomeadamente pela educação.

Foram 8 selecções nacionais da América do Norte, América Central e Caraíbas que lutaram por 2 vagas no Mundial 2011, com muita garra, proporcionando jogos de muita emoção.

Equipas participantes

  • México
  • EUA
  • El Salvador
  • Costa Rica
  • Canadá
  • Bahamas
  • Jamaica
  • Guatemala

As equipas foram divididas em 2 grupos de 4 equipas, por meio de um sorteio realizado no dia 24 de Novembro, em Puerto Vallarta. As equipas foram agrupadas em 4 potes de 2 selecções, com base nos rankings da CONCACAF, contemplativos dos resultados da competição nos três anos anteriores, sendo que cada grupo ficaria com uma equipa de cada pote. A distribuição dos grupos foi a seguinte:

Grupo A

  • México
  • El Salvador
  • Canadá
  • Jamaica

Grupo B

  • EUA
  • Costa Rica
  • Bahamas
  • Guatemala

Poster oficial do torneio de qualificação da CONCACAF para o Mundial 2011

4ª feira, 1 de Dezembro

Neste primeiro dia de jogos, todas as equipas favoritas venceram os seus adversários, quase sempre em jogos controlados. No grupo B, os costa riquenhos derrotaram as Bahamas por 5-2 numa exibição muito segura, com o jogo controlado desde o 1º período, destacando-se Pacheco e Sanchéz, que bisaram no encontro. O outro jogo do grupo viu os históricos EUA a dominarem a selecção da Guatemala (apesar da boa entrada em jogo dos estreantes), com um resultado final de 6-2 e Chimienti em grande plano ao apontar um hat-trick.

Greivin Pacheco, autor de 2 golos da Costa Rica, foi um dos destaques do jogo inaugural do torneio de qualificação diante das Bahamas.

Greivin Pacheco, autor de 2 golos da Costa Rica, foi um dos destaques do jogo inaugural do torneio de qualificação diante das Bahamas.

No grupo A, e equipa de El Salvador derrotou o Canadá por 6-3: uma partida equilibrada em que os salvadorenhos souberam gerir muito bem a vantagem que alcançaram no 1º período, para depois matarem o jogo no 3º período. Frank Velasquez, com 3 golos, foi o homem do jogo. Eis um resumo desse jogo de estreia de El Salvador no torneio, que ilustra bem a garra desta equipa, assim como a boa resposta dos canadianos:

O México enfrentou maiores dificuldades no seu jogo de estreia diante da Jamaica, mas acabou por dar a volta ao resultado e vencer por 3-2, graças a um cabeceamento vitorioso de Morgan Plata (Bola de Bronze e Bota de Prata no Mundial de Futebol de Praia 2007). Um grupo interessante, com os favoritos na frente.

Resultados

Grupo A: Costa Rica 5 – 2 Bahamas

Grupo B: El Salvador 6 – 3 Canadá

Grupo A: EUA 6 – 2 Guatemala

Grupo B: México 3 – 2 Jamaica

5ª feira, 2 de Dezembro

No segundo dia deste torneio de qualificação, os vencedores e vencidos foram exactamente os mesmos que os do dia anterior. Mais uma vez, não houve surpresas no grupo B, com a Costa Rica a protagonizar mais uma exibição personalizada, vencendo a Guatemala com segurança por 5-2. Sánchez voltou a sobressair, com 3 golos fundamentais para a sua equipa. Por seu turno, os EUA bateram as Bahamas por 6-3, num jogo que conheceu algum equilíbrio algures a meio do 2º período, graças à boa resposta dada pelos insulares. Porém, a indisciplina dos jogadores das Bahamas acabou por deitar tudo a perder, num jogo em que Chimienti e Oscar Gil bisaram.

Apesar de alguns sobressaltos, os EUA protagonizaram uma exibição segura frente aos vizinhos das Bahamas e venceram por 6-3

Apesar de alguns sobressaltos, os EUA protagonizaram uma exibição segura frente aos vizinhos das Bahamas e venceram por 6-3 num jogo agitado.

No grupo A, o desafio entre El Salvador e Jamaica proporcionou um grande espectáculo ao pouco público presente no estádio, com 18 golos e muita emoção. El Salvador venceu por 10-8, com a equipa a demonstrar poder de fogo no ataque (4 golos de Frank e 3 tentos de Agústin) e capacidade para segurar a vantagem, contrariando os esforços dos inconformados jamaicanos, sobretudo o implacável Rohan Reid, autor de 6 golos. Ficam imagens desse fascinante jogo de futebol de praia, jogado a um ritmo alucinante, entre El Salvador e Jamaica, com um resultado de 10-8 favorável aos salvadorenhos:

No outro jogo, o anfitrião México voltou a ganhar sem convencer os adeptos, desta feita ao Canadá, por 3-1. Os mexicanos subjugaram por completo a equipa canadiana, mas não conseguiram materializar essa superioridade em golos, demonstrando grandes problemas ao nível da finalização.

Resultados

Grupo B: Costa Rica 5 – 2 Guatemala

Grupo A: El Salvador 10 – 8 Jamaica

Grupo B: EUA 6 – 3 Bahamas

Grupo A: México 3 – 1 Canadá

No final destes dois primeiros dias de jogos, estavam definidas as equipas que ocupariam as duas primeiras posições de cada grupo, permanecendo na luta por duas vagas no Mundial 2011: Costa Rica, EUA, El Salvador e México. As selecções das Bahamas, da Guatemala, da Jamaica e do Canadá ficavam assim eliminadas, restando apenas a possibilidade de procurar uma vitória na derradeira jornada da fase de grupos.

6ª feira, 3 de Dezembro

Na 3ª jornada da fase de grupos, ficaram definidas as classificações finais de cada conjunto, bem como os confrontos decisivos das meias finais.

No grupo B, a selecção da Guatemala derrotou as Bahamas por 7-5, num jogo em que ambas as equipas se soltaram para praticarem livremente o seu futebol de praia. A dada altura, o cansaço e as suspensões de jogadores importantes hipotecaram as chances das Bahamas, com o guatemalense Ávila a emergir como o herói do jogo com 3 golos.

A Guatemala venceu a selecção das Bahamas por 7-5 e conquistou a sua primeira vitória oficial num jogo agradável para o público presente.

A Guatemala venceu a selecção das Bahamas por 7-5 e conquistou a sua primeira vitória oficial num jogo agradável para o público presente.

No combate pela primeira posição do grupo, tudo indicava que seriam os EUA a conseguir o triunfo, relegando a Costa Rica para a segunda posição, dado que no fim do 2º período os norte-americanos venciam por 2-0. No entanto, a contra-ofensiva da Costa Rica não se fez esperar, reduzindo a desvantagem, e nem mesmo o novo golo dos EUA foi suficiente para abalar a confiança da equipa: faltando menos de 2 minutos para o final do jogo, com o resultado em 3-1, os costa riquenhos ainda lograram chegar ao empate, 3-3, com golos de Sánchez e Campos (este último através de um livre nos últimos segundos do encontro). Nos penaltis, a sorte foi favorável aos norte-americanos, que aproveitaram a falha de Chavarría para vencer por 1-0 e chegar ao 1º lugar do grupo B.

Acrobacia de Yuri Morales, um dos mais talentosos jogadores norte-americanos, que enfrentou uma forte oposição por parte dos atletas da Costa Rica. Grande jogo, muito equilibrado.

Acrobacia de Yuri Morales, um dos mais talentosos jogadores norte-americanos, que enfrentou uma forte oposição por parte dos atletas da Costa Rica. Bom jogo, muito equilibrado, decidido nos penaltis.

No grupo A, Canadá e Jamaica degladiaram-se em busca de uma vitória, com os canadianos a alcançar o triunfo. Num jogo entre duas equipas que tinham conseguido dar uma boa réplica às selecções favoritas do grupo, mostrando organização e bom futebol de praia, o Canadá alcançou uma vantagem de 3-0, que foi neutralizada pela reacção jamaicana, liderada por Rohan Reid, repondo a igualdade: 3-3. No entanto, perto do fim, Xavier acabaria por marcar o golo da vitória, por 4-3, dando os 3 pontos ao Canadá.

As instruções do treinador mexicano Ramón Raya não foram suficientes para a selecção da casa manter a vantagem e evitar as grandes penalidades, onde El Salvador acabaria por sair vitorioso.

As instruções do treinador mexicano Ramón Raya foram insuficientes para a selecção da casa manter a vantagem e evitar os penaltis, onde El Salvador venceria.

Na batalha pela liderança do grupo, a selecção de El Salvador esteve por duas vezes em desvantagem frente ao México, primeiro por um e depois por dois golos de diferença, mas conseguiu reagir e empatar o jogo, com o resultado final de 3-3, graças ao espectacular hat-trick do infatigável Frank Velásquez. Nas grandes penalidades, a vitória acabou por sorrir aos salvadorenhos, por 1-0, que assim se classificaram no 1º lugar do grupo A.

Resultados

Grupo B: Bahamas 5 – 7 Guatemala

Grupo A: Canadá 4 – 3 Jamaica

Grupo B: EUA 3 – 3 Costa Rica (EUA 1 – 0 Costa Rica, pen)

Grupo A: México 3 – 3 El Salvador (México 0 – 1 El Salvador, pen)

Grupo A

1º lugar – El Salvador – 8 pontos

2º lugar – México – 6 pontos

3º lugar – Canadá – 3 pontos

4º lugar – Jamaica – 0 pontos

Grupo B

1º lugar – EUA – 8 pontos

2º lugar – Costa Rica – 6 pontos

3º lugar – Guatemala – 3 pontos

4º lugar – Bahamas – 0 pontos

Ficou assim definido que os jogos das meias finais, que decidiriam os finalistas da competição, mas sobretudo os apurados para o campeonato do mundo, seriam um desafio entre El Salvador e Costa Rica, equipas que haviam representado a CONCACAF no último mundial, e um duelo tradicional entre EUA e México, dois históricos da região que procuravam o regresso aos grandes palcos internacionais.

Sábado, 4 de Dezembro

Era chegado o dia de todas as decisões. Não havia margem para erro, uma vez que os vencedores seriam qualificados e os derrotados seriam automaticamente excluídos do Mundial 2011. Por este motivo, todos os jogadores estavam inteiramente conscientes da importância de não cometer erros, jogando com cautela e concentração, o que gerou dois jogos muito fechados, com poucos golos e pouco futebol de praia, mas muita luta, essencialmente com o coração, sobretudo nas partes finais dos jogos.

As bancadas estavam ao rubro durante o desafio entre México e EUA, com os adeptos a apoiar fervorosamente a selecção da casa rumo ao Mundial 2011

As bancadas estavam ao rubro durante o desafio entre México e EUA, com os adeptos a apoiar fervorosamente a selecção da casa rumo ao Mundial 2011. Não há dúvida, foram bem recompensados!

O confronto entre a Costa Rica e El Salvador começou de um modo bastante interessante, com os costa riquenhos a executarem na perfeição as instruções do seu treinador, disciplinados e lutadores, o que lhes deu uma vantagem de 2 golos ainda muito cedo no primeiro período, com tentos de Sánchez e Chavarría. Porém, a reacção dos salvadorenhos não se fez esperar, com Frank e Agústin a fazerem o empate para os pupilos de Rudis Gallo. No 2º período, a Costa Rica continuou a demonstrar uma boa atitude, colocando-se em vantagem com um grande golo do seu guarda-redes, Adanis. Contudo, a selecção de El Salvador acabaria por chegar ao 3-3, que se manteria até ao final do encontro, apesar dos esforços de ambas as selecções. E após um prolongamento em branco, foram os terríveis penaltis a decidir o destino das duas equipas. Mais uma vez, os costa riquenhos não tiveram sorte e acabaram derrotados, por 2-1, na sequência de novo azar de Chavarría. El Salvador ganhou assim o passaporte para o terceiro mundial consecutivo, enquanto a Costa Rica não conseguiu repetir, desafortunadamente, o seu feito do ano anterior. Confiram o vídeo:

A outra meia final, entre os rivais de longa data EUA e México, viu duas equipas ainda mais cautelistas, mais organizadas defensivamente do que ofensivamente, procurando o golo de forma desordenada e impulsiva, embora sempre com agressividade. O México foi a primeira equipa a conseguir chegar à vantagem, ainda no primeiro minuto, graças à eficácia de Morgan Plata: 1-0 para a equipa da casa. Apesar do domínio mexicano no 1º período, os golos não surgiam, e foi no 2º período que se verificaram novas mudanças no marcador, com o golo do empate para os EUA, apontado por Oscar Gil, num livre. Surpreendentemente, não houve mais golos até ao final do encontro, o que ilustra bem a falta de qualidade do futebol de praia apresentado e a falta de cabeça dos jogadores de ambas as selecções, excepção feita aos guarda-redes, sobretudo o mexicano Miguel Estrada, que se portou muito bem entre os postes. Como não podia deixar de ser, o jogo foi decidido nas grandes penalidades, com o veterano Morales a falhar e a dar a qualificação ao México.

Jogadores Mexicanos celebram o apuramento para o Mundial 2011

Os atletas mexicanos celebram em festa o apuramento para o Mundial de Futebol de Praia 2011

Resultados

Meia Final: El Salvador 3 – 3 Costa Rica (El Salvador 2-1 Costa Rica, pen)

Meia Final: EUA 1 – 1 México (EUA 0 – 1 México, pen)

Assim, em jogos tremendamente disputados, as decisões foram tomadas na marcação de grandes penalidades, com os jogadores das experientes selecções de El Salvador e México a saberem controlar melhor os nervos, alcançando um apuramento de importância primordial no desenvolvimento do futebol de praia nos seus países, já que não haverá outro campeonato do mundo de futebol de praia antes de 2013, sendo que a modalidade ainda não se encontra muito desenvolvida no continente.

Domigo, 5 de Dezembro

Com as decisões respeitantes ao apuramento tomadas, restava apenas definir a classificação final do torneio e atribuir o título de campeão da CONCACAF. Assim, no primeiro Domingo de Dezembro, teve lugar em Puerto Vallarta a grande final do torneio, disputada por El Salvador e México, precedida pela partida que determinava o último lugar do pódio, entre Costa Rica e EUA.

O jogo para o 3º lugar proporcionou um duelo fascinante entre duas selecções que já se tinham defrontado na fase de grupos, mas que agora estavam muito mais soltas e despreocupadas, jogando o jogo pelo jogo, sem grandes condicionantes. Num festival de golos, a Costa Rica voltou a entrar bem no jogo, mas os norte-americanos deram a volta ao jogo, transformando uma desvantagem de 2 golos numa vantagem de 3 tentos. A reacção dos costa riquenhos foi muito positiva, mas os EUA, treinados por Eddie Soto, nunca abdicaram do ataque, acabando por alcançar um resultado pomposo de 7-5 no final do jogo. Albuquerque e Chimienti foram as figuras norte-americanas, com 2 golos cada um, enquanto Jonathan Sánchez foi novamente o grande destaque da Costa Rica, com um hatt-rick.

Final: a emoção da luta pelo título

Eis o vídeo com o resumo do jogo da final e das emoções escaldantes que se viveram em Puerto Vallarta a propósito desse grande duelo:

Para a final estava reservado um jogo de emoções muito quentes, como ainda não se tinha visto neste torneio, nem mesmo nos jogos decisivos da qualificação! Com a frescura física a que a selecção salvadorenha tinha vindo a habituar os espectadores, conseguiu impor-se no jogo bem cedo, protegendo adequadamente a sua baliza e criando sempre boas oportunidades para marcar, com dois golos a surgirem ainda no 1º período: o primeiro por Elias Ramirez e o segundo pelo inevitável Frank Velásquez.

O 2º período continuou de forma semelhante, com a selecção mexicana longe daquilo que podia fazer, e o jogo pensado de El Salvador a fazer a diferença, com mais um golo de Frank, num livre exemplarmente cobrado: 3-0. No entanto, o México reagiu bem, não tardando a reduzir a vantagem, num golo puramente fortuito, da autoria de António Barbosa, após uma série de ressaltos sucessivos. O golo enervou os jogadores de El Salvador, que começaram a ver cartões amarelos repetidamente, perdendo o controlo da cabeça e do jogo, o que acabou por resultar na expulsão de Elias Ramirez, bem como em mais um golo de António Barbosa.

O 3º período começava com um instável resultado de 3-2 no marcador, já com igual número de jogadores nas duas equipas, mas o México por cima do jogo. Desta forma, foi com naturalidade que António Barbosa ganhou a bola ao guarda-redes Portillo e fez o golo do empate, 3-3 para júbilo das centenas de adeptos presentes no estádio. O quarto golo do herói António Barbosa deu a vantagem aos mexicanos, que ainda a conseguiriam ampliar, por intermédio de Rosales: 5-3, grande reviravolta no marcador operada pela equipa da casa, frente a uma selecção de El Salvador que entrou em queda por falta de disciplina e fair play.

Equipa mexicana festeja a conquista do troféu de campeão da CONCACAF, um prémio justo para o trabalho desenvolvido por todos nos últimos tempos.

Equipa mexicana festeja a conquista do troféu de campeão da CONCACAF, um prémio justo para o trabalho desenvolvido por todos nos últimos tempos.

México campeão da CONCACAF! Estão de parabéns, jogadores e equipa técnica, com um triunfo justo e uma qualificação merecida como primeiro representante da confederação.

Resultados

Jogo dos 3º e 4º lugares: Costa Rica 5 – 7 EUA

Final: El Salvador 3 – 5 México

Classificação Final

1º lugar – México

2º lugar – El Salvador

3º lugar – EUA

4º lugar – Costa Rica

PRÉMIOS INDIVIDUAIS

Melhor Marcador: Frank Velásquez (El Salvador) – 13 golos

Melhor Jogador: Frank Velásquez (El Salvador)

Melhor Guarda-redes: Miguel Estrada (México)

Prémio FIFA Fair play: Ross Ongaro (treinador do Canadá)

Neste capítulo, gostaria de destacar, obviamente, a prestação sublime do número 11 salvadorenho, Frank Velasquez, com 13 golos em 5 jogos (média de 2,6 golos por jogo) e um espírito lutador verdadeiramente incrível, aliado a uma técnica que sobressai relativamente aos nível dos seus colegas. Desta vez, a estrela habitual de El Salvador, Agústin Ruiz esteve um pouco abaixo daquilo a que nos tem habituado, mas contribuiu para o sucesso da sua equipa, alias como os restantes atletas, embora Velásquez se tenha evidenciado: golos de Velásquez como este são dissuasores de quaisquer dúvidas.

Na selecção da casa, destaque para o brasileiro naturalizado mexicano António Barbosa, que além dos 4 golos da final já tinha apontado alguns tempos. Outros nomes sonantes na equipa são Morgan Plata e o experiente Ricardo Villalobos. Por outro lado, nos Estados Unidos, o maior destaque foi Chimienti, com mais golos do que os colegas de equipa, embora eu talvez prefira realçar o bom desempenho de Oscar Gil, uma novidade desta selecção, contrariando a tendência dos EUA para o envelhecimento e a estagnação. Falta referir o excelente trabalho de Jonathan Sánchez, da Costa Rica, que com 11 golos poderia muito bem ter sido o melhor marcador e melhor jogador, não fosse o grande momento de forma de Frank.

A nível de guarda-redes, Miguel Estrada reuniu consenso como o melhor naquela posição, revelando-se decisivo na conquista do apuramento e do título continental, mostrando que as suas distinções em torneios anteriores não são apenas parte do passado.

Miguel Estrada recebe o prémio de melhor guarda-redes do torneio, uma distinção merecida pela sua segurança entre os postes, sofrendo uma média de apenas 2 golos por jogo.

O mexicano Miguel Estrada recebe o prémio de melhor guarda-redes do torneio, uma distinção merecida pela sua segurança entre os postes, sofrendo uma média de apenas 2 golos por jogo.

De resto, num torneio onde o fair play nem sempre foi uma constante, parece-me justo atribuir o prémio a Ross Ongaro, um homem que tem lutado pela divulgação do  futebol de praia na CONCACAF e no mundo, sempre com respeito pelos adversários e devoção à modalidade em si. Outro momento de fair play que gostaria de deixar está na seguinte imagem, ilustrativa de uma entreajuda e respeito mútuo entre dois jogadores de equipas rivais, num jogo de grandes decisões e grandes nervos:

Frank Velásquez e Richard Sterling em entreajuda a meio do encontro entre El Salvador e Costa Rica, num jogo de importância crucial no futuro das duas selecções no ano de 2011. O fair play enriquece o desporto, e de que maneira!

Frank Velásquez e Richard Sterling em entreajuda a meio do encontro entre El Salvador e Costa Rica, num jogo importante para o futuro das duas selecções. O fair play enriquece o desporto, e de que maneira!

BALANÇO FINAL

México campeão, El Salvador segundo, ambas as equipas qualificadas. Assim podemos resumir este torneio de apuramento da CONCACAF para o Mundial de Futebol de Praia 2011, se nos restringirmos ao essencial, ao objectivo. No entanto, há que reter aqui alguns pontos fundamentais, como o grande equilíbrio que se verificou entre as 4 semifinalistas, México, El Salvador, EUA e Costa Rica, com muitos jogos decididos nos penaltis. Quaisquer 2 destas 4 selecções tinham condições para chegar ao campeonato do mundo, embora os seus argumentos sejam diferentes.

Por um lado, o México demonstrou as influências de uma experiência passada na modalidade, com bases técnica e tácticas que lhes dão uma boa base de trabalho, desperdiçada pela forma nervosa e apressada com que encararam quase todos os jogos, corrigida apenas na final, na minha opinião. Por outro lado, El Salvador demonstrou a energia combatente a que nos vem habituando, mas a um nível superior, potenciado pela participação nos mundiais de anos anteriores. A Costa Rica foi sem dúvida a selecção que mais cresceu relativamente ao ano anterior e ao longo da competição, ganhando muita maturidade e evidenciando uma boa evolução. Os EUA fizeram um torneio melhor do que em anos anteriores, com algumas notas positivas, mas ainda jogam segundo moldes antigos, evidenciando uma necessidade urgente de renovar a sua selecção, para conseguirem restaurar a glória de outros tempos.

Costa Rica e El Salvador são países de área reduzida que têm desenvolvido um excelente trabalho no futebol de praia,.

Costa Rica e El Salvador são países de área reduzida que têm desenvolvido um excelente trabalho no futebol de praia.

As novas selecções deram sinais positivos, disputando os resultados com alma e deixando indícios de qualidade, que abrem boas possibilidades de desenvolvimento do futebol de praia nestes países. É o caso da Jamaica, que surpreendeu, a da Guatemala, que conseguiu a primeira vitória oficial. As Bahamas deixaram igualmente boas indicações, apesar das derrotas, e o Canadá demonstrou largos progressos em relação à paupérrima prestação de 2009.

Enfim, México e El Salvador estão de parabéns! Resta-nos desejar boa sorte às duas equipas para o Mundial 2011 e esperar para ver como se comportam em prova, em representação da CONCACAF.

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